O ROSTO POR DETRÁS DA FACECuradoria de Susana Camanho & Emídio Agra

Pensamento, Fora de Portas
Dom, 25 Out 2020
18:30 – 20:00

Domingo
25 Outubro 202018h30

Auditório Casa das Artes
Rua Ruben A 210
4150-639 Porto

* Esta sessão do ciclo de conferências “Imagens de Pensamento”, com curadoria de Susana Camanho e Emídio Agra, é organizada pelo Sismógrafo em parceria com a Casa São Roque, numa colaboração com o projecto de Barbara Piwowarska “Footnote 14: Angel of History”.

João Barrento, R. H. Quaytman, Chantal Benjamin & Lais Benjamin Campos

Curadoria de Susana Camanho & Emídio Agra

O rosto por detrás da face
ou a imagem imaginante
(conferência pré-gravada em vídeo)

Trata-se, nesta intervenção, de interrogar o lugar e os sentidos da imagem (e de diferenciar tipos e formas de actuação da imagem) no espaço da arte e da vida no mundo contemporâneo, e de questionar as possíveis formas de intervenção do pensamento nesse mundo, e da nossa capacidade (perdida?) de o olhar.

Partindo de pensamentos de autores tão diversos e distantes como Plotino, Walter Benjamin ou o poeta Gastão Cruz, propomos uma série de considerações in-actuais sobre a própria noção do contemporâneo (versus o actual) e da imagem (no seu sentido mais amplo, e etimológico, de «fantasma» ou «aparição», e nas suas vertentes artística e civilizacional), contrapondo as suas manifestações de superfície, hoje correntes (a «face») aos seus possíveis perfis múltiplos, criativos e actuantes (o «rosto»), na arte ou fora dela. Esta ideia mais ampla da imagem no espaço da arte, da História, do mundo-da-vida, será comentada a partir de conceitos propostos por Walter Benjamin, como os de «imagem de pensamento», «pensamento imaginante» ou «imagem dialéctica», exemplificados a partir de obras como Rua de Sentido ÚnicoImagens de PensamentoInfância Berlinense e As Passagens de Paris, ou da conhecida Tese sobre «O anjo da História», em si mesma uma exemplar «imagem de pensamento». E tentaremos chegar a algumas hipóteses de leitura deste tempo e do lugar da arte nele, no aqui e agora da sua singularidade.

João Barrento é ensaísta e tradutor. Professor (aposentado) de Literatura Alemã e Comparada da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Publicou vinte livros de ensaio, crítica e história literária e crónica, e traduziu literatura e filosofia de língua alemã do século XVII à actualidade, com particular destaque para a edição, em 7 volumes, da Obra de Walter Benjamin. Colaborador do jornal Público (1990-2006) e da maior parte das revistas literárias portuguesas. Vice-presidente do PEN Clube Português (1990-2006). Actualmente é presidente da Direcção do Espaço Llansol-Associação de Estudos Llansolianos, responsável pelo espólio da escritora Maria Gabriela Llansol. Recebeu os mais importantes prémios portugueses para ensaio, crítica, crónica e tradução, e ainda o Prémio D. Dinis. Agraciado com a Cruz de Mérito Alemã (1991) e a Medalha Goethe (1998).

R. H. Quaytman nasceu em Boston em 1961, estudou no Bard College e no Institut des Hautes Études en Arts Plastiques em Paris, e recebeu o prémio Rome Prize Fellowship da American Academy em 2001. Em 2015, Quaytman recebeu o prémio Wolfgang Hahn Prize com Michael Krebber. Desde 2006, Quaytman dá aulas no Bard College, além de leccionar na Princeton University, Cooper Union, Columbia University, e na Yale University School of Art. Em 2005, foi cofundadora da Orchard, um espaço de exposições e eventos gerido de forma cooperativa que, em 2008, concluiu o seu percurso de três anos no Lower East Side. O seu trabalho está representado nas colecções permanentes do Museum of Modern Art, do Whitney Museum of American Art, do Solomon R. Guggenheim Museum, do San Francisco Museum of Modern Art, do Institute of Contemporary Art Boston, do Museum of Fine Arts, Boston, do Art Institute de Chicago, da Pinault Collection, da Tate Modern, do Museo Reina Sofia, da V – A – C Foundation, Fondazione Memmo, do CCS Bard Hessel Museum of Art, do Baltimore Museum of Art e do Stedelijk Museum Amsterdam, entre outros. Uma grande retrospectiva, The Sun Does Not Move, Capítulo 35, inaugurou no dia 16 de outubro no Museu de Serralves.

Chantal Benjamin nascida em Londres, em 1964, formou-se em Direito e Política pela SOAS e é fluente em quatro línguas. Vive actualmente em Berlim, onde trabalha como assistente social com famílias de migrantes e refugiados. Teve o privilégio de morar em vários países, tanto da Europa como fora dela, incluindo o Brasil. Tem tido trabalhos e interesses ecléticos, desde o ensino até à experiência de estar numa ONG na bacia amazônica. É neta de Walter Benjamin.

Lais Chaioko Benjamin Campos nasceu em Berlim em 2006. Frequenta actualmente o 9º ano, na Escola Secundária judaica Moses Mendelssohn, em Berlim. Lais é trilingue (incluindo português) e encontra-se, neste momento, a aprender hebraico. Lais tem orgulho das suas raízes que, além da Alemanha, se estendem pelo Brasil, Portugal, Reino Unido e França. Lais é também o foco do projecto de filme colaborativo “Berlin Childhood”, realizado por Aura Rosenberg e Frances Scholz. Os seus interesses vão desde as ciências às artes, e incluem a participação num grupo de teatro de língua portuguesa. É bisneta de Walter Benjamin.

Imagens de pensamento

“Imagens de pensamento” dá título a este ciclo de conferências que abre um espaço na programação do Sismógrafo para pensar as imagens e através das imagens. Pretende-se com estas conferências unir o discursivo e a imagem, confrontá-los, reconhecer o potencial de uma imagem, de um fragmento, resgatando experiências vitais ameaçadas num presente incerto. Estes tempos da “pós-verdade” e dos “factos alternativos”, turbulentos e inquietantes, tempos de pandemias, de crises ecológicas, financeiras, políticas e sociais, são “tempos interessantes”, para usar a expressão popularizada por Eric Hobsbawm. Tempos interessantes especialmente para o pensamento. Pensar é já contribuir para uma mudança. Este ciclo reivindica uma cooperação entre a força expressiva da arte e a precisão da filosofia. Sem uma linguagem que as acolha, as imagens podem cegar-nos ou nada dizer. Com estas conferências, o Sismógrafo procura cuidar o que Alexander Kluge chama um “jardim de cooperação”, um lugar que preserva os momentos em que a palavra e a imagem convergem de forma a produzirem algo novo, um espaço para a discrepância e a cooperação face às cacofonias da informação, face à manipulação industrial e escravização dos sentimentos. Em tempos difíceis, de cisões e segregações, a cooperação apresenta-se como um antídoto do tribalismo (Richard Sennett). Para abrir na cidade este jardim, este espaço de debate e polifonia, o Sismógrafo convidou oradores ligados à filosofia, à estética, à crítica de arte, às artes plásticas e ao cinema que, em diferentes momentos e desde diferentes perspectivas, procurarão apresentar um diagnóstico do presente.

Folha de sala

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Pensamento, Fora de Portas
Dom, 25 Out 2020
18:30 – 20:00

Domingo
25 Outubro 202018h30

Auditório Casa das Artes
Rua Ruben A 210
4150-639 Porto

* Esta sessão do ciclo de conferências “Imagens de Pensamento”, com curadoria de Susana Camanho e Emídio Agra, é organizada pelo Sismógrafo em parceria com a Casa São Roque, numa colaboração com o projecto de Barbara Piwowarska “Footnote 14: Angel of History”.