FINA BIRULÉSArendt, “uma entusiasta da reciclagem”. Pensar a partir de fragmentos

Pensamento, Fora de Portas
Sáb, 15 Out 2022
15:30

Conferência
Ciclo Imagens de Pensamento

Sábado 15 Outubro 2022 15:30
@ Casa das Artes
Rua Ruben A, 210. Porto
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Entrada livre

Curadoria de Susana Camanho & Emídio Agra

“Arendt, “uma entusiasta da reciclagem”. Pensar a partir de fragmentos" girará em torno ao diálogo de Hannah Arendt com Walter Benjamin e Karen Blixen, tendo como fio condutor as suas reflexões sobre a ruptura irreversível do fio da tradição. A tarefa que Arendt propõe não é a de restaurar os vínculos com a tradição e o passado, mas a de descobrir ideias e valores que sobreviveram numa nova forma (resgatar “as pérolas e o coral”) e que podem ser usadas por mor de um novo começo. Nas suas mãos, reciclar é dar um novo uso a fragmentos do passado, por vezes como antídoto para combater o próprio legado tradicional. Pensamos sempre a partir de palavras herdadas e fazê-lo é também perguntarmo-nos como as usar e rever no presente. Daí o gesto de Arendt de examinar a fundo os remanescentes e fragmentos da liberdade política, após ter sido arrasada pelos regimes totalitários.”  Fina Birulés

Fina Birulés é professora titular de Filosofia Contemporânea na Universidade de Barcelona (aposentada), membro do Seminario Filosofía y Género do ADHUC- Centro de Investigación Teoría, Género, Sexualidad de la Universidad de Barcelona e do Grupo Arendtiano de Pensamiento y Política. As suas linhas de investigação articulam-se em torno a dois núcleos: por um lado, a subjectividade política, a história e a acção, por outro, a teoria feminista e a produção filosófica feminina, prestando especial atenção à obra de Hannah Arendt, sendo uma das especialistas mais reconhecidas. É tradutora de diversas obras de filosofia, autora de numerosos ensaios e editora de volumes sobre Arendt e outras pensadoras contemporâneas como Simone Weil, Sarah Kofman e Simone de Beauvoir. Entre as suas publicações mais recentes destacam-se: L’embolic del gènere. Per què els cossos importen? (com Judith Butler e Marta Segarra, CCCB, 2019), Hannah Arendt: Llibertat, política i totalitarisme (Gedisa, 2019), Feminisme, una revolució sense model (CCCB, 2018), Hannah Arendt. El orgullo de pensar (Gedisa, 2018), o capítulo «Hannah Arendt y la figura de Sócrates» no livro colectivo Hannah Arendt. El arte de leer (Eudeba y Katz Editores, 2017), Entreactes. Entorn del pensament, la política i el feminisme (El Trabucaire, 2014) e Una herencia sin testamento: Hannah Arendt (Herder, 2007). Traduziu, também, diversas obras de filosofia contemporânea, é autora de inúmeros ensaios e editora de volumes colectivos sobre o pensamento de Hannah Arendt e outras pensadoras contemporâneas, como Pensadoras del siglo XX (Instituto de la Mujer, 2011) ou Lectoras de Simone Weil (Icaria, 2013), ambos com Rosa Rius Gatell.

Imagens de pensamento


“Imagens de pensamento” dá título a este ciclo de conferências que abre um espaço na programação do Sismógrafo para pensar as imagens e através das imagens. Pretende-se com estas conferências unir o discursivo e a imagem, confrontá-los, reconhecer o potencial de uma imagem, de um fragmento, resgatando experiências vitais ameaçadas num presente incerto. Estes tempos da “pós-verdade” e dos “factos alternativos”, turbulentos e inquietantes, tempos de pandemias, de crises ecológicas, financeiras, políticas e sociais, são “tempos interessantes”, para usar a expressão popularizada por Eric Hobsbawm. Tempos interessantes especialmente para o pensamento. Pensar é já contribuir para uma mudança. Este ciclo reivindica uma cooperação entre a força expressiva da arte e a precisão da filosofia. Sem uma linguagem que as acolha, as imagens podem cegar-nos ou nada dizer. Com estas conferências, o Sismógrafo procura cuidar o que Alexander Kluge chama um “jardim de cooperação”, um lugar que preserva os momentos em que a palavra e a imagem convergem de forma a produzirem algo novo, um espaço para a discrepância e a cooperação face às cacofonias da informação, face à manipulação industrial e escravização dos sentimentos. Em tempos difíceis, de cisões e segregações, a cooperação apresenta-se como um antídoto do tribalismo (Richard Sennett). Para abrir na cidade este jardim, este espaço de debate e polifonia, o Sismógrafo convidou oradores ligados à filosofia, à estética, à crítica de arte, às artes plásticas e ao cinema que, em diferentes momentos e desde diferentes perspectivas, procurarão apresentar um diagnóstico do presente.

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