2015, 05.15, sexta/friday 22:15 / Gert-Jan Prins

Gert-Jan Prins

“Gosto de trabalhar com algo que é um pouco instável e fora de controlo”: palavras de Gert-Jan Prins à revista The Wire em 2003. Prins, inicialmente um percussionista, cedo se interessou pela modificação de aparelhos electrónicos (chamemos-lhe “hardware hacking” ou “circuit bending”): é precisamente o input sonoro de rádios e televisões alterados que serve de matéria-prima aos vários interfaces áudio que o próprio constrói e usa em improvisações. A sua música parece nascer de um ecossistema electrónico em constante desequilíbrio onde quaisquer intervenções podem tomar direcções sonoras inesperadas, caóticas até. Poderíamos colocar a sua música numa linhagem que vai dos ecossistemas de rádios de David Tudor (pioneiro na criação de composições para electrónica , embora mais conhecido por ser intérprete de peças de piano de John Cage) aos “cracked everday electronics” dos suíços Voice Crack ou até aos adulteradores do digital como Yasuano Tone ou Oval. No entanto, tal com reiterou à The Wire, identifica-se mais com aqueles que criam música sem inputs, em sistemas auto-referenciais/recursivos, em descontrolo iminente, como Toshimaru Nakaramura ou Marco Ciciliani. Mas Prins nunca abandonou a percussão completamente, em mais de 20 anos de carreira, criando simultaneamente peças com texturas surpreendentemente percussivas (como uma visão radical da cultura de clube) ou que utilizam as qualidades tímbricas de alguns instrumentos de percussão como entrada para o seu mundo-sonoro electrónico.

Para além do trabalho a solo, Gert-Jan Prins pertence aos grupos: MIMEO, uma orquestra pan-europeia de improvisação electrónica, liderada por Keith Rowe e da qual fazem/fizeram parte Fennesz, Rafael Toral, Peter Rehberg, Marcus Schmickler e Jerome Noetinger, entre outros; The Flirts, com o pianista-electrónico Cor Fuhler; e Synchronator, com o artísta vídeo Bas van Koolwijk. Para este último projecto desenvolveu aparelhos electrónicos que transformam sinais áudio em vídeo compósito criando efeitos visuais surpreendentes. Também na vertente visual colaborou com vários artistas vídeo à volta do mundo e faz parte do grupo de criadores que contribuiu com peças para o projecto Vertical Cinema.

Este foi o primeiro concerto de Gert-Jan Prins na cidade do Porto e o único desta passagem por Portugal

“I like to work with something that is a little bit unstable and out of control”: this were the words of Gert Jan Prins to The Wire Magazine back in 2003. Prins, initially a percussionist, soon became interested in modifying electronic equipment (let’s call it hardware hacking or circuit bending): it is precisely the input of modified radio oscillators and tvs that serve as the raw material for several audio interfaces built by himself and used in improvisations. His music appears to rise from an electronic ecosystem in constant unbalance where any intervention may lead to unexpected sonic turns, even chaotic at times. We could place Prins’ music in a lineage that goes from the radio ecosystems of David Tudor (pioneer creator for electronic instruments, although best known as a piano interpreter of John Cage’s compositions) to the cracked everyday electronics of suiss duo Voice Crack, or even to the digital tamperers like Yasunao Tone or Oval. However, as stated in The Wire interview, he identifies himself more closely with musicians who create no-input music, in auto-referential/recursive system, in eminent imbalance, like Toshimaru Nakamura or Marco Ciciliani. Nevertheless, Prins never abandoned percussion all-together, in a career spanning more than 20 years, creating pieces both with a surprisingly percussive texture (a radical vision of club culture) and that can use the tonal properties of percussion instruments as the input to his electronic sound-worlds.

Besides his solo work, Gert-Jan Prins plays in the following groups: MIMEO, a pan-european electronic improvisation orchestra, led by Keith Rowe and whose members include/included Fennesz, Rafael Toral, Peter Rehberg, Marcus Schmickler and Jerome Noetinger, among others; The Flirts with electronic-pianist improviser Cor Fulher; and Synchronator with video artist Bas van Koolwijk. For the Synchronator project, Prins develop electronic devices that transform audio signals in composite video creating surprising visual effects. Following his interest in sound-video interactions he has been collaborating with several video artists around the world and his part of the group of creators that has contributed with pieces for the Vertical Cinema Project.

This was Gert-Jan Prins first concert in Porto and the only in this visit to Portugal.

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entrada / admittance:€5