2016, 12.23 – Sexta/Friday 22:00 / Concerto/Performance,
Alfredo Costa Monteiro

Concerto/Performance, <br>Alfredo Costa Monteiro

"Comecei a trabalhar com papel há mais de quinze anos, quando pela primeira vez, usei um pedaço de cartão como preparação para tocar o acordeão. É, portanto, quase por acaso que comecei a desenvolver uma prática que, com os anos, viria a tornar-se uma obra em si.

É em várias configurações que trabalho, desde o aspeto acústico com micro-sons quase inaudíveis à amplificação que, graças aos micros, dão uma identidade e uma potência inesperadas a um material que parecia tão frágil.

É um trabalho de superfícies, de contacto de materiais que tornam essa fraqueza uma força, como uma espécie de fenomenologia do quotidiano onde o som é o resultado de um experiência conduzida pelo gesto no seu encontro com a matéria.

Suporte desligado da sua função, que é a de receber signo, marca, traço ou texto na sua forma de mensagem e que se torna membrana pronta para vibrar e transmitir outra mensagem, esta, sonora e em forma de ruído.

É um solo para papel acústico que vou apresentar no Sismógrafo.

É sempre a partir de constrições que trabalho, a fim de expandir estes limites que me restringem; e é dentro destes limites que vão aparecendo outras possibilidades, outras capacidades para produzir objetos sonoros menos óbvios e, portanto, menos previstos. Perto do silêncio, em torno ao silêncio e num quase-nada. "

Alfredo Costa Monteiro Barcelona, Dezembro 2016

Alfredo Costa Monteiro nasceu em 1962 no Porto mas cedo se mudou para França onde estudou escultura em Paris. Vive e trabalha em Barcelona desde 1992 focando-se na música improvisada, poesia visual e sonora e instalações. Musicalmente trabalha com o acordeão, gira-discos, electrónica, guitarra e objectos ressonantes para criar peças que alternam entre o silêncio e o ruído mais áspero sempre com atenção detalhada para a textura, dinâmica e tensão. As suas criações sonoras, quer compostas quer improvisadas, tendem a partilhar processos instáveis, materiais e gestos em bruto e restrições conceptuais. Com vários discos editados em editoras de todo o mundo, além do trabalho a solo colabora frequentemente com outros músicos e faz parte de vários grupos de improvisação, nomeadamente Cremaster (com Ferran Fages), 300 Basses (com Jonas Kocher e Luca Venitucci) e Atólon (com Ruth Barberán e Ferran Fages). Tem ainda vindo a apresentar instalações sonoras em museus e galerias pela Europa. No campo da poesia já viu o seu trabalho editado em Espanha e França, como é exemplo a caixa “Anima” (editada este mês pela Lenke Lente Editions) que contém poemas em diferentes línguas acompanhado por um CD com leituras da mesma.

"I started working with paper more than fifteen years ago when, for the first time, I used a piece of cardboard as preparation to play the accordion. It is, therefore, almost by chance that I began to develop a practice that, over the years, would become a work in itself.

I work in many configurations, from the acoustic aspect with almost inaudible micro-sounds to the amplification that, thanks to the micros, give an unexpected identity and power to a material that seemed so fragile.

It is a work of surfaces, of contact of materials that make this weakness a strenght, as a kind of phenomenology of everyday life where the sound is the result of an experience driven by the gesture in its encounter with matter.

A medium disconnected from its function, which is to receive a sign, mark, trace or text in the form of a message, becoming a membrane ready to vibrate and transmit another message, this one a sonorous one and in the form of noise.

It's a solo for acoustic paper that I'm going to present at Sismógrafo.

It is always from constrictions that I work, in order to expand these limits that restrict me; And it is within these limits that other possibilities appear, other capacities to produce sound objects, less obvious and therefore less predictable. Close to silence, around silence and an almost-nothing."

Alfredo Costa Monteiro Barcelona, December 2016

Alfredo Costa Monteiro was born in Porto in 1962 but soon moved to France where he studies sculpture in Paris. He lives and works in Barcelona where he settled in 1992, working on improvised music, visual and sound poetry and installations. Musically, he uses the accordion, turntable, electronics, guitar and resonant objects to create pieces that alternate between silence and harsh noise always paying detailed attention to texture, dynamics and tension. His sound pieces, whether composed or improvised, tend to share unstable processes, raw materials and gestures and conceptual constrictions. He has published records in labels all over the world both as a solo artist or in collaboration with other musicians. He is also part of some improvised music groups, such as Cremaster (w/ Ferran Fages), 300 Basses (w/ Jonas Kocher and Luca Venitucci) and Atólon (w7 Ruth Barberán and Ferran Fages). Monteiro has also presented sound and visual instalations in museums and galleries throughout Europe. In the poetry field his work has been published in Spain and France. A recent edition, “Anima”, published this month by Lenke Lente Editions contais poems in Portuguese, Spanish and French and is accompanied by a CD with readings of the same poems.

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Entrada gratuita / Free admission