2014, 12.05 – 2015, 01.10 / Merci, Thierry Simões

Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões
Merci, Thierry Simões

“Merci”, de Thierry Simões, é a exposição que encerra o primeiro ano de actividades do Sismógrafo. A mostra nasce de uma observação do artista, uma situação vivida no metro de Lisboa: uma mulher a entrançar o cabelo. A partir desse pasmo inicial, abriu-se um campo de possibilidades: um anúncio, uma publicação, uma instalação. A ideia foi convidar a que cada um, cada uma, fosse até ao Sismógrafo fazer e desfazer a sua trança, repetindo esse gesto quotidiano, por vezes inconsciente, entre desenhos e outros trabalhos.

Esta foi também uma exposição acerca da memória. Thierry Simões esteve presente em algumas iniciativas do Sismógrafo durante 2014. A sua participação trouxe sempre para o centro do debate a questão do fazer colectivo, ou seja, como construir uma comunidade. A esta pergunta, essencial para o trabalho que tentamos edificar através das nossas actividades, o artista respondeu através de dispositivos de encontro – uma lâmpada e um aquecedor em dias de inverno –, um cabide com dois “hoodies” pendurados pelo capuz, as suas publicações.

É no prolongamento desses lugares de encontro que acontece “Merci”. Um agradecimento que é um título e um verdadeiro obrigado, a quem adquirisse uma publicação lançada no dia de inauguração da exposição. Essa palavra de cortesia é também do Sismógrafo para Thierry. Este é um dos artistas que nos põe a pensar. Expõe os nossos limites. Esse diálogo mantido há mais de um ano permitiu detectar algumas das condições necessárias para dar continuidade a um processo que tem o desejo de autonomia. E foi através do fazer artístico que se encontraram e se encontram as soluções para os impasses. Esse é o nosso fim.

“Merci” resgata a memória de outras exposições apresentadas no Sismógrafo. Thierry Simões realizou uma espécie de arqueologia nas salas onde antes estiveram outros objectos. Procurou os buracos que foram deixados para trás, visíveis por baixo das camadas de tinta ou deixados a descoberto pelo esquecimento. O artista fez um trabalho de atenção. Um exercício de desenho. Perfurou papéis com o azul do céu ou do mar. E inscreveu o agradecimento em francês numa publicação. Enquanto tudo isso acontece, é possível que se ouçam os acordes de um concerto de Mozart, o arrulhar dos pombos ou o pipilar das gaivotas, lá fora, nos Poveiros. E há alguém que faz e desfaz uma trança.

Paralelamente à exposição “Merci”, Thierry Simões conversou acerca das suas publicações, num diálogo informal que contou com a participação de alguns elementos do Sismógrafo e de quem visitou a exposição nesses dias.

“Merci” by Thierry Simões, was the exhibition that closed the first year of Sismógrafo's activities. The show was born from an observation of the artist, a situation that occurred in the Lisbon subway: a woman braiding her hair. From this initial amazement, a field of possibilities opened up: an advertisement, a publication, and an installation. The idea was to invite each one, to come to Sismógrafo to do and undo their braid, repeating this everyday gesture, sometimes so unconscious, and doing it between drawings and other works.

This was also an exhibition regarding memory. Thierry Simões was present in some Sismógrafo's initiatives during 2014. His participation always brought to the centre of the debate the issue of a collective making, ie, how to build a community. To this question, essential for the work we try to build through our activities, the artist replied by using devices that enable an encounter – a lamp and a heater in winter days – a hanger with two “hoodies”, an also its own publications.

In the extension of these gathering places “Merci” happens. “Thank You” is a title and a special thanks to those who purchased a publication released in the opening day of the exhibition. This word is also a courtesy of Sismógrafo towards Thierry. This is one of those artists that makes us think. That exposes our limits. This dialogue maintained for over a year allowed us to detect some of the necessary conditions for the continuation of a process that has the desire for autonomy. And it was through art making that we have met and found the solutions to these problems. That's our purpose.

“Merci” rescues the memory of other exhibitions held in Sismógrafo. Thierry Simões made a kind of archeology in the exhibition rooms where once there were other objects. Searching for the holes that were left behind, visible beneath the layers of paint or left uncovered by oblivion. The artist made a work of attention. A drawing exercise. Drilled papers with the blue of the sky, or of the sea. And he will inscribe the thorn in French in a publication. While all this happened, it was possible to listen to the chords of a Mozart concerto, the cooing of pigeons or the seagulls tweeting outside in the Poveiros square. And there is someone who makes and breaks a braid.

Parallely to the exhibition “Merci” Thierry Simões also talked about his publications, in an informal dialogue with the participation of some of Sismógrafo's members and whoever visited the exhibition during those days.

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