2016, 03.18 - 2016, 04.09 / Glória-da-manhã, Sara Graça

Glória-da-manhã, Sara Graça
Glória-da-manhã, Sara Graça
Glória-da-manhã, Sara Graça
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Em "Glória-da-manhã", Sara Graça (lisboa, 1993) encena uma ficção, a do impossível encontro da noite com o dia, uma parábola acerca de modos de existência actuais, sobretudo aqueles onde a realidade é condicionada por uma economia precária, quase de subsistência. É essa história de sobrevivência, que pode ser não só a de uma flor, mas também a de um artista, com a qual o espectador é confrontado, numa exposição de fotografia e escultura. A imagem de um rosto que chora, ou a presença de um macaco com uma incontrolável comichão, evocam sentimentos, que podem ser verdadeiros ou falsos, e recordam obras de Bas Jan Ader ("I'm too sad to tell you") e Mike Kelley ("Monkey Island: Travelogue"). Esta mostra traduz ainda as experiências da artista no seu dia-a-dia – e mais uma vez nunca saberemos qual o alcance desta revelação, se aquilo que vemos é verdade ou mentira, pois as peças instaladas no Sismógrafo são filtradas pela luz e pela sombra, pelos encontros, pela potência do pensamento. É a flor que dá título à exposição, a glória-da-manhã (Ipomoea purpurea), que pode dar a chave de acesso ao conteúdo agora revelado: na brevidade da sua vida, três dias, fechada deste o entardecer até ao nascer do sol, ela lembra-nos a brevidade da beleza e da impermanência da existência. As sementes desta espécie de planta são alucinogénas, pois contêm LSA ou amida de ácido D-lisérgico, um alcalóide alucinogéno e psicadélico, sendo considerado um depressor, embora possa causar, ao nível corporal, euforia física e sensações tácteis espontâneas e, ao nível cognitivo, o desaparecimento do ego, distorção temporal e sensações de déjà vu. Por esta mostra passa uma "política da inoperosidade", tal como Giorgio Agamben a concebe: uma ética desembaraçada dos conceitos de dever e de eficácia.

Sara Graça estudou Artes Plásticas – Multimédia, na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto entre 2011 e 2015, passando pela Central Saint Martins da University of Arts em Londres. Apresentou trabalho nas três cidades e em 2015 abriu o Vésta, um espaço independente para exposições no Porto.

In "Morning glory", Sara Graça (Lisbon, 1993) stages a fiction, the one of the impossible encounter of the night with the day, a parable about current modes of existence, especially those where reality is conditioned by a precarious economy, almost of subsistence. It is this story of survival which can be not only about a flower but also about an artist, with whom the viewer is confronted, in a photography and sculpture exhibition. The image of a face that cries, or the presence of a monkey with an uncontrollable itching, evoke feelings, which can be either true or false, remembering works by Bas Jan Ader ( I'm too sad to tell you) and Mike Kelley ( Monkey Island: Travelogue). This show also reflects the experiences of the artist in her day-to-day living - and once again we will never know the scope of this revelation, if what we see is true or false, because the parts installed at Sismógrafo are filtered by light and shadow, by encounters, by the potency of thought. It is the flower that gives title to the exhibition, the morning glory (Ipomoea purpurea), that might give access to the content now revealed: the brevity of its life, of three days only, closed from sundown until sunrise, reminding us of the brevity of beauty and the impermanence of existence. The seeds of this kind of plant are hallucinogenic, for they contain LSA or acid amide D-lysergic, an hallucinogen and psychedelic alkaloid, considered a depressant, although it can cause physical euphoria and spontaneous tactile sensations and also in the cognitive level, the disappearance of the ego, time distortion and sensations of déjà vu. Through this show there’s a "policy of inactivity" as Giorgio Agamben conceives it: a disentangled ethic on concepts of duty and efficiency.

Sara Graça studied Visual Arts – Multimedia, at the Faculty of Fine Arts between 2011 and 2015, passing by Central Saint Martins da University of Arts in London. She presented work in the three cities and, in 2015, opened Vésta, an independent space for exhibitions in Porto.

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