Uma varanda à justa, <br>Pedro Sousa Vieira<br>curadoria de / curated by Óscar Faria

As obras de Pedro Sousa Vieira expostas em “Uma varanda à justa” podem ser lidas a partir da sua hecceidade, da sua essência distinta de outras coisas, da sua particularidade. O próprio destas criações é assim o seu desejo em devirem imperceptíveis, indiscerníveis e impessoais. O seu território materializa-se em tonalidades que emprestam às imagens – cabeças, paisagens, palavras –, uma dimensão flutuante, liquefeita, difícil de agarrar. Desenho, escultura ou impressão digital, as declinações usadas pelo artista para construir este corpo de trabalhos tendem a reforçar essa ideia de descondicionamento: não existe uma narrativa, contudo, por detrás dessa aparência, tudo nos conta uma história, única, existencial. Há imagens que parecem rodar, outras que nos trazem as cintilações de um rio ou de um mar, um negativo de um caniche – que nessa inversão perde o seu ar dócil e se transforma na figura de um pesadelo –, personagens fantasmagóricos e cor, muita cor: azuis, amarelos, verdes e vermelhos. É uma exposição feita de sensações, sóbria, contida, que precisa de ser lida como uma meditação acerca do belo e das formas, por vezes balbuciantes, como este se insinua no mundo.

Pedro Sousa Vieira nasceu no Porto (1963), onde vive e trabalha. Em 2015, foi lhe atribuido o 10º Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, Museu de Amarante, Portugal. O artista desenvolve o seu trabalho em vários meios: desenho, pintura, instalação e fotografia, entre outros. Até agora, realizou mais que 20 exposições individuais, e participou ao longo da sua carreira em mais que 30 exposições colectivas. Entre as suas exposições individuais mais recentes contam-se “3,99º”, no Museu Nogueira da Silva (Braga, 2015); “A Gaze from the Back”, na Galeria Belo-Galsterer (Lisboa, 2014); “Preto no Branco”, no Espaço Chiado 8, com curadoria de Bruno Marchand (Lisboa, 2012), “No dia anterior”, Galeria Nuno Centeno (Porto, 2013) e no Centro Cultural Vilaflor, com curadoria de Bruno Marchand (Guimarães, 2011). Das exposições colectivas em que participou destacam-se: “Animália e Natureza na Colecção do CAM”, comissariada por Isabel Carlos para o CAM/Fundação Calouste Gulbenkian (Lisboa, 2014); “À propos des lieux d’origine. Portugal agora”, com curadoria de Clément Minighetti, Marie-Claude Beaud, Björn Dahlströml, no MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, (Luxemburgo, 2007); “Entre Linhas– Desenho na Colecção da Fundação Luso-Americana”, com curadoria de João Silvério, na Culturgest (Lisboa, 2005), “Zoom 1986-2002 – Colecção de Arte Contemporânea Portuguesa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento: uma selecção”, com curadoria de Manuel Castro Caldas, no Museu de Arte Contemporânea de Serralves, (Porto, 2002) e “Linhas de Sombra”, com curadoria de João Miguel Fernandes Jorge e Helena de Freitas, no CAM / Fundação Calouste Gulbenkian, (Lisboa, 1999).



The works of Pedro Sousa Vieira exhibited in "Uma varanda à justa" [A Balcony under the wire] can be read from their haecceity, from their distinct essence from other things, from their particularity. The very nature of these creations is thus their desire to becoming imperceptible, indiscernible and impersonal. Its territory materializes in shades that lend images – heads, landscapes, words – a floating, liquefied dimension, difficult to grasp. Drawing, sculpture or digital printing, the declinations used by the artist to construct this body of work tend to reinforce that idea of deconditioning: there is no narrative, however, behind this appearance, everything tells us a unique, existential story. There are, thus, images that seem to rotate, others that bring us the flickering of a river or a sea, a negative of a poodle – that in this inversion loses its docile look and turns into the figure of a nightmare –, ghostly characters and color, lots of color: blues, yellows, greens and reds. It is an exhibition made of sensations, sober, restrained, that needs to be read as a meditation on beauty and the sometimes bewildering forms in which beauty insinuates itself in the world.

Pedro Sousa Vieira was born in Porto (1963), where he lives and works. In 2015, he was awarded the prize 10º Prémio Amadeo de Souza-Cardoso, Museu de Amarante, Portugal. Among his recent solo exhibitions are “3,99º”, at Museu Nogueira da Silva (Braga, 2015); “A Gaze from the Back”, at Galeria Belo-Galsterer (Lisbon, 2014); “Preto no Branco”, at Espaço Chiado 8, curated by Bruno Marchand (Lisbon, 2012), “No dia anterior”, at Galeria Nuno Centeno (Porto, 2013) and at Centro Cultural Vilaflor, curated by Bruno Marchand (Guimarães, 2011). Some important group shows in which Sousa Vieria participated are: “Animália e Natureza na Colecção do CAM”, curated by Isabel Carlos for CAM/Fundação Calouste Gulbenkian (Lisbon, 2014); “À propos des lieux d’origine. Portugal agora”, curated by Clément Minighetti, Marie-Claude Beaud and Björn Dahlströml, at MUDAM – Musée d’Art Moderne Grand-Duc Jean, (Luxemburg, 2007); “Entre Linhas– Desenho na Colecção da Fundação Luso-Americana”, curated by João Silvério, at Culturgest (Lisbon, 2005), “Zoom 1986-2002 – Colecção de Arte Contemporânea Portuguesa da Fundação Luso-Americana para o Desenvolvimento: uma selecção”, curated by Manuel Castro Caldas, at Museu de Arte Contemporânea de Serralves, (Porto, 2002) and “Linhas de Sombra”, curated by João Miguel Fernandes Jorge and Helena de Freitas, at CAM / Fundação Calouste Gulbenkian (Lisbon, 1999).

previousnext

Conversa entre o artista e o curador /
Talk between the artist and the curator:
sábado/saturday, 25 Fevereiro/February, 17:00