A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens
A Magnet Between Proteins and Sugar, Marc Behrens

Há uma genealogia que une a exposição "A Magnet Between Proteins and Sugar", de Marc Behrens, que foi inaugurada no dia 27 de Fevereiro. Essa é uma linhagem com elementos familiares, artísticos e musicais. Todos produzem aquilo que podíamos designar como uma política dos corpos, das imagens, dos sons. Há ainda uma outra dimensão: a proveniente das expedições na natureza e em locais simbolicamente relevantes. O trajecto tem origem na Alemanha e segue sobretudo os passos do pai e da mãe do autor. Convocam-se memórias de um tempo marcado pelas guerras, a segunda e a fria, que se lhe seguiu. Há histórias de espionagem e de sonhos por cumprir. Vêm depois os primeiros contactos com a arte: a Darmstadt de Beuys e também a de Cage, artistas com os quais a cidade procurou reconciliar-se: um mundo de fluxos, uma música nova. Nada seria como dantes: uma arte feita por todos, herdeira de Duchamp e de Satie.

É preciso seguir as linhas, para depois as desfazer: performances-tortura, arte animal, actos de guerrilha. Estamos entre quedas: um muro e duas torres, gémeas, por sinal. E aí, nesse espaço de tempo, outras guerras: Afeganistão, Iraque, Kosovo, Médio Oriente. Um ruído permanente de mísseis e de imagens virtuais. O todo em aceleração continuada, aqui e ali interrompido pela intensidade gerada em praças e ruas (Tahir, Syntagma, Wall Street), pela polifonia espectral da Amazónia ou pelo vácuo do deserto. Entretanto, os trabalhos plásticos, gráficos e sonoros vão-se sucedendo rapidamente. Nunca abandonando a fita magnética e as técnicas de “cut-up” entra também o digital nas composições geradas em computador de que o recente disco em colaboração com Atom™ constitui um exemplo : trata-se de uma obra construída desde 1987 até 2013, onde cabem múltiplos géneros musicais: do tecno à música concreta, da canção às gravações de campo, do noise à electrónica.

Em "A Magnet Between Proteins and Sugar" vai revisitar-se o percurso de Marc Behrens através de obras e documentos resgatados do seu arquivo pessoal. Cassetes dos anos 80, produzidas de forma artesanal, com recurso à fotocópia, colagens, edições limitadas, cartazes, trabalhos gráficos, experiências concretas, abstractas e informais, partituras, rituais e evocações de viagens e de histórias íntimas. São cerca de trinta anos que se alargam a muitos mais, tantos são os tempos convocados na exposição, no concerto e na audição que irão passar pelas salas do Sismógrafo. E se a montagem ou edição é um dos processos constantes no percurso deste autor podemos também afirmar que este procedimento serve precisamente para desmontar, para desregular, para desequilibrar os sentidos e as percepções, numa espécie de ars combinatoria formada por elementos recolhidos através das décadas de uma vida onde os encontros, as descobertas e os fantasmas se vão acumulando: Joseph Beuys, Cecil Taylor, Naked City, William Burroughs, Alejandro Jodorowsky, Ho. Turner, Chris Keller...

A exposição inaugurou no dia 27 de Fevereiro e esteve patente até 14 de Março. No sábado a seguir à inauguração, dia 28 de Fevereiro, teve lugar o concerto “Rita Braga & Marc Behrens Smile You Against the Wall”. E, finalmente, no sábado, dia 14 de Março, uma audição especial de uma peça sonora de Marc Behrens encerrou a exposição.

A exposição contou com o apoio do Goethe-Institut Portugal


There is a genealogy that unites the exhibition "A Magnet Between Proteins and Sugar” by Marc Behrens which opened on the 27th of February – a lineage with familiar, artistic and musical elements. They produce what we can designate as a politic of bodies, images and sounds. There is also another dimension: the one that comes from expeditions in nature and to symbolically relevant locations. The path originates in Germany and follows mainly the footsteps of the author’s parents. Memories from a time marked by wars - the Second and the Cold which came afterwards - are evoked. There are espionage stories and dreams left unfulfilled. Then come the first contacts with art: Beuys’ Darmstadt and also Cage’s, artists with whom the city sought to reconcile: a world of flux, a new music. Nothing would ever be as before: art created by all, heir to Duchamp and Satie.

One has to follow the lines, to untangle them afterwards: torture-performances, animal art, guerilla acts. We are in between two falls: a wall and two towers, twin by chance. And there, in that timeframe, other wars: Afghanistan, Iraq, Kosovo, Middle East. A continuous stream of noise from missiles and virtual images. The whole in perpetuous acceleration, here and there interrupted by the intensity generated in squares or streets (Tahir, Syntagma, Wall Street), in the spectral polyphony of the Amazon forest and in the vacuum of the desert. Meanwhile, visual pieces, graphics and sound works come in quick succession. Never abandoning the magnetic tape and cut-up techniques the digital also crawls in through compositions generated by computer of which the recent release with Atom™ constitutes one example: a work constructed from 1987 to 2013, where multiple musical genres coexist: from techno to concrete music, from songs to field recordings and from noise to electronics.

In "A Magnet Between Proteins and Sugar" we will revisit the path of Marc Behrens through works and documents rescued from his personal archive. Cassettes from the 80s – produced in DIY fashion with photocopy techniques – collages, limited editions, posters, graphic works, concrete, abstract and informal experiments, musical scores, rituals and evocations of travels and personal stories. A span of 30 years that encompasses many more, so many are the times summoned in the exhibition, concert and audition that will pass through Sismógrafo rooms. And if montage and editing are constant processes in the work of this author one can also say that this procedures serve precisely to dismantle, deregulate and unbalance the senses and perceptions in a kind of ars combinatoria formed by elements gathered throughout decades in a life where encounters, discoveries and ghosts keep accumulating: Joseph Beuys, Cecil Taylor, Naked City, William Burroughs, Alejandro Jodorowsky, Ho. Turner, Chris Keller...

The exhibition opened on the 27th of February until the 14th of March. On the Saturday after the opening, the 28th of February, the concert “Rita Braga & Marc Behrens Smile you against the wall” took place. And finally, on Saturday, the 14th of March, a special audition of a sound piece by Marc Behrens closed the exhibition.

The exhibition had the support of Goethe-Institut Portugal

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