A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell
A Boca do Inferno / The Mouth of Hell

Artistas/Artists: Von Calhau!, Isabel Carvalho, Rosa Carvalho, Cora 1988, Gil Heitor Cortesão, Luís Paulo Costa, Renato Ferrão, Karl Holmqvist, Sofia Leitão, Fabrizio Matos, Sebastião Resende, Fernando J. Ribeiro, entre outros / among others. Curadoria/Curated by Óscar Faria.

O equinócio de outono de 2014 aconteceu dia 23 às 03h29m. Em 1930, nesta mudança de estação, Aleister Crowley desapareceu na Boca do Inferno, uma formação geológica na costa de Cascais. Produzido com a cumplicidade de Fernando Pessoa e do jornalista Augusto Ferreira Gomes, que “encontrou" junto à falésia uma carta de despedida e uma cigarreira com símbolos cabalísticos de inspiração egípcia, esse pseudo-suicídio tem tido diversas explicações para a sua realização. A fuga a credores e o abandono de uma amante, Hanni Jaeger, que havia abalado de Lisboa dias antes do simulacro, são duas explicações plausíveis, mas há também quem ponha a tónica no humor de ambos personagens.

Este foi o ponto de partida de A Boca do Inferno, uma exposição colectiva que reuniu trabalhos de 12 artistas, a que se juntaram objectos de carácter etnográfico, máscaras e esculturas provenientes de Africa, da Asia e da Europa. A ideia de desaparecimento atravessou esta mostra, a qual foi também habitada por um desejo de sublinhar a dimensão mágica da arte, que neste contexto se manifestou não só através do diálogo entre obras contemporâneas e artefactos rituais e votivos, mas também na evocação de universos tão diversos como a poesia, o ilusionismo ou a espeleologia.

À memória vem ainda a célebre fotografia em que Fernando Pessoa e Aleister Crowley surgem juntos a jogarem xadrez. Uma ode de Ricardo Reis ajuda a compôr a cena desta partida:

Ouvi contar que outrora, quando a Pérsia
Tinha não sei qual guerra,
Quando a invasão ardia na Cidade
E as mulheres gritavam,
Dois jogadores de xadrez jogavam
O seu jogo contínuo.

Há contudo um dado importante, quem surge à direita na imagem não é o poeta português. Como explica o historiador Marco Pasí: "Por volta de 2006 eu recebi a informação que seria possível identificar o oponente de Crowley na imagem. Foi William Breeze, conhecido especialista em Crowley, que me disse que essa pessoa seria – com quase toda a certeza – um certo R. A. Starr, um conhecido de Crowley no inicío dos anos 30."

Nem tudo o que os teus olhos vêem é verdade. Aquilo que se ouve pode ser mentira. "...O simulacro nunca é aquilo que esconde a verdade - é a verdade que esconde que não existe. O simulacro é verdadeiro."

Faz o que queiras.

Abracadabra! Bem-vindos à Boca do Inferno.

Autumn’s equinox of 2014 took place on the 23rd of September at 3.29 AM. In 1930, at this change of season, Aleister Crowley disappeared in Boca do Inferno [Mouth of Hell], a geologic formation on the coast of Cascais. Staged with the collaboration of Fernando Pessoa and journalist Augusto Ferreira Gomes, who “found", next to the cliff, a farewell letter and a cigarette case with cabbalist symbols of Egyptian inspiration, this pseudo-suicide has had various explanations for its occurrence. Escaping from a lender and leaving a lover, Hanni Jaeger, who had left Lisbon days before the simulacrum, are two possible explanations, however there are some who prefer to emphasize the humor of both characters.

This was the starting point of The Mouth of Hell, a collective exhibition that brought together the work of 12 artists to which objects of ethnographic character, masks and sculptures from Africa, Asia and Europe were added. The idea of a vanishing traversed the exhibition, which was also inhabited by a desire of emphasizing the magic dimension of art, and manifested itself in this context not only by the dialogue between contemporary works and ritual and votive artifacts, but also through the evocation of universes as diverse as poetry, illusionism and spelunking.

It comes to memory the famous photograph in which Fernando Pessoa and Aleister Crowley appear together playing chess. An ode from Ricardo Reis helps to compose the scenario of this match:

I heard it told that once Persia
Was engaged in some war or other,
When invaders were burning down the City
And the women were screaming,
Two players went on playing
Their endless game of chess.

There is however an important detail, the person on the right of photograph is not the Portuguese poet. As it was explained by the historian Marco Pasí: “Around 2006 I received the information that it would be possible to identify Crowley’s opponent in the photo. It was William Breeze, a known Crowley specialist that told me – with certainty – that the person was a R. A. Starr, an acquaintance of Crowley in the beginning of the 30’s.

Not everything that the eyes see is true. What you hear may be a lie. “… The simulacrum is never what hides the truth – it is the truth that hides the fact that there is none. The simulacrumis true".

Do as you wish.

Abracadabra! Welcome to The Mouth of Hell.

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