2016, 03.17 quinta/thursday 21:30 / Cal, Paulo da Costa Domingos

Cal, Paulo da Costa Domingos
Cal, Paulo da Costa Domingos
Cal, Paulo da Costa Domingos
Cal, Paulo da Costa Domingos
Cal, Paulo da Costa Domingos

Uma das vozes dissonantes da poesia portuguesa contemporânea, Paulo da Costa Domingos (Lisboa, 1953), numa sessão em torno do seu último livro, "Cal" (Averno, 2015), no qual prossegue o diagnóstico do real, quer político, quer social, por si iniciado em "Nas Alturas" (Frenesi, 2006). Introduzido por Vitor Silva Tavares, que evoca a lucidez do autor – uma luz vizinha quer da beleza convulsiva, quer do absolutamente moderno –, o novo corpo de textos conduz o leitor pelo óxido dos dias. É, esta, uma obra percorrida por essa brancura que arde, cura, por esse atravessar do inferno, nosso, por esse espanto que cega e faz abrir os olhos. Praticante de uma "arte do empobrecimento", aquela que Leo Bersani e Ulysse Dutoit detectam nas obras de Beckett, Rothko e Resnais, ou seja, exercitador de palavras enxutas, certeiras, as quais tantas vezes parecem desencorajar quem as frequenta, Paulo da Costa Domingos (PCD) segue os trilhos mais difíceis para nos oferecer uma visão límpida do mundo. Como referem Bersani e Dutoit, Beckett e Rothko têm a intenção de afirmar: "'O meu trabalho é sem autoridade'. Não vais aprender nada a partir dele, nem tão pouco lucrar moralmente com ele; ele também não te fará melhorar a tua vida com esse deleite ou prazer superior com o qual, fizeram-te acreditar, os artistas têm a obrigação de te fornecer." Este é também o ponto de partida, e de chegada, de PCD, poeta, editor da Frenesi e tradutor - de Jim Morrison, de Patti Smith e de Ian Curtis, por exemplo. Sem nada a oferecer-nos, a sua escrita tudo nos dá a ganhar, quanto mais não seja essa lucidez, a qual nos revela, se quisermos, a catástrofe, o entretenimento, a miséria e as fantasias ideológicas e especulativas que nos cercam.

Sessão com a presença de Paulo da Costa Domingos e apresentada por Óscar Faria, do Sismógrafo, que inclui a leitura de poemas, alguns inéditos. Entrada livre.

One of the dissenting voices of contemporary Portuguese poetry, Paulo da Costa Domingos (Lisbon, 1953), in a session around his latest book, "Cal" (Averno, 2015), which continues the diagnosis of the real, whether political or social, started with "Nas Alturas" (Frenesi, 2006). Introduced by Vitor Silva Tavares, who evokes the lucidity of the author – a light near the convulsive beauty and the absolutely modern –, the new body of texts takes the reader through the oxide of days. This is a work trespassed by that whiteness which burns, heals, by this crossing of hell, ours, by this wonder that blinds and opens our eyes. Practitioner of an "art of impoverishment," that which Leo Bersani and Ulysse Dutoit detect in Beckett's, Rothko's and Resnais' works, that is, an exerciser of lean words, well-aimed, which so often seem to discourage those who read, Paulo da Costa Domingos (PCD) follows the most difficult trails to offer us a clear view of the world. As mentioned by Bersani and Dutoit, Beckett and Rothko intend to say: "'My work is without authority.' You will learn nothing from it; you will gain no moral profit from it; it will not even enhance your life with that delight or superior pleasure which, you have been led to believe, artists have the obligation to provide you." This is also the starting and arrival point of PCD, poet, editor of Fenesi and translator – of Jim Morrison, of Patti Smith and of Ian Curtis, for example. With nothing to offer us, his writing gives us everything to gain, if nothing more that lucidity, which shows us, if we want, the catastrophe, the entertainment, the misery and the ideological and speculative fantasies that surround us.

Session with the presence of Paulo da Costa Domingos, presented by Oscar Faria, from Sismógrafo, which includes the reading of poems, some previously unpublished. Free admission (held in portuguese only)

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